quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

FILÓSOFO DIZ QUE OS PAÍSES QUE NÃO PRIORIZAM A EDUCAÇÃO, TORNAM-SE GRANDES CRIATURAS SEM CÉREBRO


O senso crítico imposto pela filosofia, será sempre uma defesa contra tolices e crenças populares, contra modismos culturais e intelectuais, contra posturas vazias de políticos, palestrantes, comentaristas e vendedores de todo o tipo
O Brasil vem vivendo uma miscelânea de crises e não é difícil elencar uma série de fatores causais, difícil talvez, seja a unanimidade no apontamento dessas causas. Para o filósofo Frederico Rochaferreira, o mais importante desses fatores é a exclusão da grande maioria da população a uma educação de qualidade. Frederico salienta que a precariedade na educação compromete não só a formação profissional do indivíduo, como compromete a formação pessoal, pelo déficit de valores.
“___No Brasil, há boas escolas, mas são poucas e estão restritas à rede particular e a um pequeno número de afortunados que podem pagar e pagar caro para ter acesso a um ensino razoável. Nas escolas públicas do país o ensino é precário e não supre a necessidade educacional básica, nem os anseios dos alunos, assim, quando ultrapassam a fronteira da infância, chegam à adolescência sem ter adquirido conhecimento e valores verdadeiros, comprometendo de forma definitiva a formação profissional e pessoal e aqui estamos falando do futuro da nação.“

Frederico Rochaferreira sustenta que, na medida em que o sistema de ensino público brasileiro não cumpre o seu papel de ensinar e educar, este pode ser apontado como o responsável direto pela formação de uma sociedade marginal, em todos os sentidos, vivendo no limbo de uma sociedade organizada:

“__ Ao chegar a adolescência patinando por uma rede pública de ensino, milhares de alunos têm a consciência de que pouco aprenderam. O destino final de grande parte desses jovens é a evasão escolar em busca de trabalho, um círculo que se repete geração após geração, aumentando o hiato da desigualdade, já que são pessoas sem qualquer formação, que em busca pela sobrevivência, se ancora muitas vezes em trabalhos informais e ocupações formais intermediárias. Essa é uma bola de neve ou de problemas que só cresce, porque o resultado é a contínua formação de uma sociedade à margem da sociedade.”

Ainda segundo o autor de “A Razão Filosófica”, o indivíduo não forjado em uma sólida educação, é um ser frágil e vulnerável, capaz de ser facilmente seduzido a servir de instrumento às mais vis ações.

“__ O crescente número de analfabetos funcionais que as escolas brasileiras produzem a cada ano, engorda cada vez mais uma sociedade paralela, sem senso de discernimento e vulnerável, o que significa, um exército pronto para ser recrutado e dirigido a qualquer fim, seja ideológico, doutrinário ou marginal. Ao fim e ao cabo, todos sucumbem, uns pela ignorância, outros pela estupidez.”

Frederico Rochaferreira afirma que não há outra solução para combater as recorrentes crises de desvio de conduta ética, a criminalidade e violência social, senão reformulando o método de ensino e educação. Segundo Rochaferreira, é fundamental que os ciclos escolares apliquem a filosofia, não como ciência que ensina o produto da filosofia, mas como ciência que ensina a pensar e a adquirir valores:

“__ Há entre alguns filósofos a percepção de que a filosofia é o exercício preparatório para a sabedoria e essa ideia está correta, já que a filosofia é a ciência que ensina a pensar e a que esculpe a segunda pele do ser, isto é, proporciona às pessoas compreenderem a si mesmas, o mundo em que vivem e as relações entre si, desse modo, aquele ou aquela que passa pelo ensino filosófico; são pessoas capacitadas a perguntar, a responder, a examinar, a investigar e a raciocinar desde as questões mais simples ás mais complexas da vida. Assim, se o aluno aprendeu a pensar e adquiriu valores probos, não importa a carreira que vai seguir, certamente será um profissional competente e honesto em suas ações. Por outro lado, o senso crítico imposto pela filosofia, será sempre uma defesa contra tolices e crenças populares, contra modismos culturais e intelectuais, contra posturas vazias de políticos, palestrantes, comentaristas e vendedores de todo o tipo. Isso significa que uma sociedade forjada numa educação de qualidade, nunca estará à deriva, mesmo em mar revolto. Estará ancorada no bom conhecimento, na solução necessária para vencer e ultrapassar barreiras, no senso moral e na conduta ética, mas, aquelas nações que deixam a educação à margem de seus projetos, transforma-se enquanto sociedade, em uma grande criatura sem cérebro.”
Rio de Janeiro, RJ (DINO)

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